Teoria da Mente: do debate filosófico às contribuições científicas na contemporaneidade
Autoria: Nathaly Ribeiro França
Resumo
A teoria da mente (ToM) é uma habilidade cognitiva e afetiva que permite que os seres humanos possam inferir os estados mentais próprios e alheios, bem como a predição de suas intenções e de seus comportamentos. Sua compreensão tem sido foco de estudos interdisciplinares que vão desde a filosofia às neurociências contemporâneas. Este artigo tem como objetivo explorar esta temática por meio das vertentes filosófica, modelos explicativos e seus aspectos neurobiológicos. Trata-se de uma revisão narrativa de literatura feita com base em uma seleção não exaustiva de publicações científicas. Dividido em três seções, a primeira aborda o debate filosófico com enfoque entre o dualismo cartesiano e o monismo fisicalista. Na segunda, os principais modelos teórico-explicativos são explorados. Já na terceira são explorados os correlatos neurais da ToM, incluindo sua relação com os transtornos mentais. Esta produção destaca a relevância da teoria da mente para o comportamento humano, não excluindo a sua complexidade. Neste sentido, aponta para a necessidade de integrar abordagens que possam favorecer o avanço das pesquisas e da prática clínica.
Palavras-chave: teoria da mente, neurobiologia da mente, estados mentais
Introdução
A questão sobre a consciência, mente humana e a sua relação com o corpo é algo que se faz presente, desde os primórdios, no debate filosófico. O dualismo cartesiano, que separa mente e corpo, e o monismo fisicalista, que defende que fenômenos mentais são produtos da matéria encefálica, contexto explicitado por Masi (2023), propiciaram um terreno fértil para um avanço promissor no debate científico. As tensões que emergiram no campo impulsionaram debates interdisciplinares articulando – se mente e processos físicos, conforme Luria (1992), e culminando nas neurociências contemporâneas. Nestas, a mente é abordada como fenômeno que se origina da atividade neural, como pontuado por Kandel (2009).
Neste contexto, a teoria da mente (ToM) desponta como uma habilidade cognitiva e afetiva essencial para a vida em sociedade. Seu comprometimento é associado à uma gama de transtornos mentais, que afetam as relações sociais, tendo implicações diretas nas interações sociais e na saúde mental (Perrotta, 2020). A teoria da mente, segundo Premack e Woodruff (1978), é a capacidade de inferir tanto estados mentais próprios, quanto alheios, permitindo a identificação e predição de comportamentos.
Considerando tal perspectiva, existe vasta quantidade de materiais encontrados dentro dessa temática. Porém, os campos filosófico, teórico e neurobiológico, são abordados de forma isolada. Tal fato dificulta a construção de modelos explicativos mais robustos, bem como sua aplicação à prática clínica. Diante disto, esta revisão narrativa de literatura, por meio de uma seleção não exaustiva de materiais, estabeleceu como objetivo geral, sintetizar suas as bases da ToM, integrando seus fundamentos filosóficos, modelos explicativos e aspectos neurobiológicos.
Neste contexto, esta produção foi construída dividindo-se em três seções visando cumprir os seguintes objetivos específicos: (a) na primeira seção buscou-se apresentar percurso histórico das teorias da mente, destacando-se o debate entre o dualismo e fisicalismo, explicitando-se o enfoque ontogenético e filogenético para a temática apresentada. Também foi abarcada a interdisciplinaridade composta entre as contribuições filosófica e científica que foram essenciais para a construção das teorias explicativas da mente (La Mettrie, 1912; Luria, 1992; Masi, 2023; Povinelli e Volk 2003; Premack e Woodruff, 1978; Wellman e Brandone, 2009); (b) na segunda seção, buscou-se apresentar as principais teorias explicativas da mente, desde as teorias empiristas, inatistas e conexionistas, até as mais contemporâneas, como as neuro teorias. Também foram abarcadas as suas contribuições para a natureza da consciência e os processos mentais envolvidos. (Castro e Landeira-Fernandez, 2012; Fodor, 1983; Gopnik e Wellman, 1992; Gordon, 1986; Jou e Sperb, 1999; Moreira Almeida, 2013; Premack e Woodruff, 1978; Westermann et al., 2007); (c) já na terceira seção, objetivou-se explorar a neurobiologia da teoria da mente foi explorada, de forma estrutural. (de Lang et al., 2008; Naughtin et al., 2017; Perrotta, 2020; Siegal e Varley, 2002; Vogeley et al., 2001)
Assim, discutiu-se de forma integrada como a teoria da mente emerge, se desenvolve e se manifesta. Considerando também, suas implicações para o desenvolvimento humano e para os transtornos mentais, o que reforça a justificativa deste trabalho para os estudos da mente e para a psicologia.
Fundamentos Filosóficos e Neurocientíficos da Teoria da Mente
O debate filosófico entre o físico e o mental existe desde os primórdios e faz parte de um caminho histórico que aborda, de modo ontogenético e filogenético, o estudo da mente humana. Tal debate, explorado de forma interdisciplinar, inspirou a emergência das teorias explicativas da mente. Estas ganham força se entrelaçando, na contemporaneidade, com as investigações feitas pelas neurociências, que buscam compreender os correlatos neurais e o funcionamento da mente e sua integração com o cérebro. Neste contexto, Masi (2023) traz um panorama geral do debate entre o dualismo cartesiano e o monismo material que explora as origens da consciência humana. Segundo Masi, após o dualismo cartesiano e inspirado neste, surgiram teorias não fisicalistas que abordam uma ontologia obscura dos processos mentais e da consciência. O autor evidencia que, de acordo com essas estruturas teóricas, a consciência não teria origem no cérebro, mas sim, que este serve como um transdutor que codifica e reduz uma consciência universal à uma experiência física e subjetiva. Além disso, o autor faz uma distinção entre a consciência fenomenal, hipotetizada pelo dualismo, e a mente fisicalista, que atua como um dos processos cognitivos do cérebro. A vertente monista fisicalista, como comentado pelo autor, postula que a mente emerge do cérebro, como resultado das interações neurais, descartando assim, qualquer hipótese de que esta se originaria fora do corpo.
Neste contexto, o filósofo e médico La Mettrie (1912) foi um dos pioneiros que representam o fisicalismo. Suas ideias materialistas foram a porta de entrada, histórica e indireta, para os estudos neurocientíficos sobre mente e cérebro na contemporaneidade. La Mettrie se opõe ao dualismo cartesiano e cria o conceito de homem máquina, trazendo uma 13 das primeiras perspectivas monistas sobre a mente humana. Dessa forma, na obra “Men a Machine”, La Mettrie exemplifica como os processos biológicos influenciam os estados mentais humanos, e vice-versa, explicitando assim, suas ideias materialistas radicais. Na referida obra, o autor defende abertamente que a mente se origina no cérebro, quando exemplifica as mudanças psicológicas inesperadas geradas na mãe, pela gravidez. Tais mudanças são decorrentes de aspectos hormonais, químicos e físicos que impactam diretamente o encéfalo. Na mesma obra, La Mettrie ainda diz que é possível compreender a mente das pessoas ao observar sua fisionomia, denotando mais uma vez que mente e corpo estão essencialmente interligados. O autor também compara a anatomia cerebral entre humanos e animais. Neste contexto, argumenta que os macacos possuem certo nível de habilidades cognitivas que os fazem imitar outros animais. Assim, evidencia as semelhanças com os humanos, apontado que as diferenças entre os mesmos, se dão por conta de limitações físicas, como as que impedem os macacos de compreenderem uma língua e verbalizá-la. Sendo assim, La Mettrie demonstra que as diferenças entre humanos e macacos não se fazem de forma absoluta, mas sim a um certo nível gradativo, denotando uma conexão significativa na continuidade entre as mentes de humanos e primatas não humanos.
Dando continuidade ao debate sobre a mente, os psicólogos e cientistas Premack e Woodruff (1978) se dedicaram a estudos que pretendiam investigar se os macacos conseguiriam inferir os desejos e intenções alheios, de acordo com o contexto social em que lhes era apresentado. Desse modo, foi levantada pelos cientistas a especulação de que os chimpanzés talvez pudessem ter uma teoria da mente. Segundo Premack e Woodruff, esta inferência seria considerada como uma teoria, por se tratar de estados internos não possíveis de serem observados. Assim, os teóricos conduziram alguns experimentos com a finalidade de observar o comportamento de tais animais, buscando uma evidência empírica da hipótese levantada. Desta forma, ao investigar como os chimpanzés poderiam lidar com a resolução de problemas, os autores definiram algumas tarefas que consistiam em mostrar à um chimpanzé, um vídeo de um humano que pretendia alcançar bananas. Na tarefa em questão, alguns obstáculos foram colocados, impedindo que esta ação se realizasse. O animal então, escolheria entre duas alternativas para resolver o problema, que eram mostradas em cartões com imagens das ações a serem realizadas. Premack e Woodruff postularam que prever as ações do outro de forma antecipada, representando as ações comportamentais de forma correta, na maioria das vezes, indicava que o primata do estudo em questão era detentor de um certo nível de cognição que ultrapassava o simples associacionismo direto. Além disso, quando investigam uma possível teoria da mente nos chimpanzés, os autores também explicitam que tal busca não se limita apenas à empatia, que se trataria da motivação do outro, mas a algo mais amplo, que inclui também suas crenças e intenções. Os autores também aumentaram a complexidade dos testes, inclusive em estudos longitudinais que demonstraram que o comportamento de mentir sobre algo, é precedido da compreensão sobre a capacidade de enganar intencionalmente o outro.
Dessa maneira, Wellman e Brandone (2009) compararam, em seu estudo, a capacidade de compreensão das intenções entre bebês humanos e primatas não humanos. Neste, foi utilizada a tarefa do paradigma de alcance, onde os participantes observaram um agente alcançando um objeto, com as mãos, por cima de uma barreira. Em seguida, a barreira foi retirada e os pesquisadores observaram se os bebês humanos e primatas não humanos olhavam para o objeto ou para o movimento físico. Além disso, fizeram a mensuração relacionada ao tempo dessas duas ações. Os pesquisadores evidenciaram que bebês de 8 a 12 meses e primatas não humanos prestavam mais atenção ao alcance direto, ou seja, olhavam mais para o objeto. Dessa forma, perceberam que a ação intencional direcionada ao objeto era mais utilizada em detrimento da compreensão da ação como movimento físico. Revelando então, semelhanças cognitivas entre humanos e primatas não humanos. Apesar das limitações encontradas nos primatas, no que se refere ao funcionamento de áreas cerebrais, evidenciando uma maior profundidade na cognição social nos humanos, os autores acreditam que as habilidades básicas de compreensão do outro estão presentes nas duas espécies. Desta forma, os autores explicitam que esta informação inicial pode ser a base para a compreensão de como se dá o desenvolvimento da teoria da mente em crianças mais velhas. Segundo Wellman e Brandone, as origens ontogenéticas e filogenéticas da complexidade cognitiva em humanos podem ser desvendadas em novas pesquisas.
Por outro lado, pesquisadores como Povinelli e Volk (2003) argumentaram sobre uma psicologia popular nos humanos, que por erros cognitivos, interpreta os comportamentos de outros animais por um viés antropomórfico. Sendo assim, os autores acreditam que a atribuição de estados mentais e a compreensão destes estados nos outros por espécies não humanas, não passa de uma distorção cognitiva criada pela própria capacidade de mentalizar do homem. Assim, trazendo o conceito de hipótese de reinterpretação, Povinelli e Volk postulam que os chimpanzés e humanos têm estruturas cerebrais básicas do comportamento. Além disso, argumentam que a habilidade da teoria da mente é algo exclusivamente humano, que veio como produto do evolucionismo da espécie e que funciona harmoniosamente com estruturas antecedentes. Neste sentido, Premack e Woodruff (1978) destacam que a atribuição de estados mentais ao outro é algo primitivo em primatas não humanos. Apesar das divergências próprias e necessárias da ciência, é fato que os estudos de Premack e Woodruff, representam um marco no cognitivismo. Neste sentido, tais propostas abriram caminhos para que mais investigações fossem feitas sob uma perspectiva filogenética, que incluiu a inferência dos estados mentais dos humanos como objeto de estudo. Estes achados, mais tarde, influenciaram tanto as teorias explicativas da mente, quanto a continuidade de estudos em áreas como psicologia, linguística e neurociências.
Por conseguinte, pode-se destacar também as contribuições de Luria (1992), que cunhou o termo neuropsicologia, ao propor em seus estudos a interconexão entre a consciência e o cérebro como forma explicativa do comportamento. Luria estudou as funções cognitivas superiores e argumentou que a atividade cerebral é gerada no próprio órgão. Este, por sua vez, segundo o cientista, controla sua atividade de forma interconectada, horizontalmente e verticalmente, entre o córtex e suas partes mais profundas. Desta forma, Luria se opõe a ideia unitarista de funcionamento cerebral, bem como a de módulos específicos responsáveis por funções específicas. O pesquisador também cunhou o termo neurolinguística. No capítulo nove de seu livro “A construção da mente”, o autor destaca que as nossas intenções e motivações comportamentais estão diretamente ligadas à função paradigmática da fala. Desta forma, Luria explicita a importância de se observar um discurso interpenetrado tanto por categorias, quanto por intenções. Neste contexto, investigou as bases biológicas provenientes de observações psicológicas, sendo grande influenciador das neurociências contemporâneas e suas formas de investigação de correlatos neurais. Assim, quando articula processos físicos e mentais, Luria assume um papel importante na investigação das teorias contemporâneas explicativas da mente, contribuindo para o leque interdisciplinar existente nesta temática.
Principais Modelos Explicativos da Teoria da Mente
De acordo com Jou e Sperb (1999), estudos empíricos e teóricos surgiram nas últimas décadas como resultado do esforço dos pesquisadores em explicar a habilidade do ser humano em ter uma mente e compreender a mente de outras pessoas. As autoras trazem que a maioria dos autores aceitam que as pessoas explicam o comportamento dos indivíduos, suas crenças e intenções, por meio de uma psicologia popular, da mesma forma que se criavam teorias populares (da física) sobre o mundo físico. Sobre isso, Premack e Woodruff (1978) dizem que, como os estados mentais não podem ser diretamente observáveis, esse sistema de inferências é chamado de teoria. A partir do exposto, destrincha-se os principais modelos explicativos da teoria da mente.
Teoria da Teoria
Gopnik e Wellman (1992) defendem a ideia de uma teoria da mente de base inata, que evolui no curso do desenvolvimento infantil. Segundo os autores, uma teoria apresenta um conjunto de características estáticas. A primeira, sendo sua abstração e seu poder explicativo por meio da análise de dados. A segunda se refere à sua coerência ao se inter-relacionar os termos postulados. Gopnik e Wellman ainda acrescentam que as duas primeiras características fornecem uma previsibilidade característica, sem que necessariamente se tenha uma precisão preditiva. Porém, enfatizam que mais importante que seu poder preditivo é a sua explicação e interpretação das evidências.
Neste contexto, os autores complementam que essas mesmas características que estão presentes em uma teoria, também devem estar presentes em uma teoria da mente nas crianças. Ainda complementam que a interpretação das evidências deve ser de acordo com as experiências distintas vivenciadas por cada criança. Sendo assim, cada criança adquire sua própria teoria da mente.
Além das características estáticas, Gopnik e Wellman (1992) explicitam sobre as características dinâmicas das teorias. Estas, segundo os autores, estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento. De acordo com os autores, tal dinamicidade ocorre por meio de processos intermediários responsáveis pela transição de uma teoria à outra. Do mesmo modo, os autores trazem que as características dinâmicas também estão presentes na teoria da mente das crianças. Neste contexto, seguindo a premissa dessas características, como exposto pelos autores, inicialmente as crianças teorizam, por conseguinte se deparam com as contra-evidências. A seguir, ignoram as mesmas para, logo após, utilizarem hipóteses auxiliares explicativas em contextos limitados e, finalmente, abrem espaço para a nova teoria por meio da reorganização de seu conhecimento. Acrescentam ainda que, de acordo com o desenvolvimento, as crianças menores inferem acerca dos desejos alheios, após isso, sobre as crenças e só depois fazem inferências mais complexas sobre a mentalização do outro.
Teoria da Simulação
Gordon (1986) também, utilizando-se de uma psicologia popular, postulou que os comportamentos alheios são baseados em uma inferência sobre suas próprias crenças, desejos e emoções. Desta forma, o autor acredita que prever o comportamento do outro, ou inferir seus estados mentais, são produtos de um raciocínio prático, que se dá em um processo mais intuitivo do que necessariamente técnico. Segundo Gordon, tal praticidade se dá a partir de uma simulação hipotética sobre vivenciar de forma imaginativa uma situação que leva a inferir o próprio estado mental.
A partir disso, Gordon (1986), complementa que, conhecendo a sua subjetividade na situação hipotética, cria-se a possibilidade de se imaginar também no lugar do outro que vivencia determinada situação. Porém, como esclarecido pelo autor, essa simulação não é precisa, mas é uma base para prever as ações do outro ajustadas às diferenças de relevância entre as mentes.
Nesse contexto, Gordon (1986) atribui a esta metodologia, o conceito de raciocínio hipotético prático. Além disso, o autor também apresenta o conceito de “menor fingimento”, explicando que as pessoas preferem explicações simples, economizando energia mental, para prever o comportamento alheio. Diz também que, a simulação em sua forma mais complexa é utilizada apenas quando algo não se encaixa na percepção do observador. Acrescenta ainda, que quanto mais familiarizado é o contexto, menor é o esforço mental empregado nesta compreensão. Desta forma, em alguns contextos, o autor elenca sobre a existência de um padrão de inferências perceptivas, que faz com que alguém generalize comportamentos em determinados contextos. E tais inferências comportamentais dependem de vastas mudanças nas crenças e atitudes do observador. Assim, o autor traz a ideia de uma brincadeira de faz de conta unido à simulação prática já mencionada. Neste caso, sintetizando as informações apresentadas, a teoria proposta por Gordon se trata de simular situações imaginárias, por meio de um fingimento mentalista sobre o estado de espírito do outro, inibindo a ação motora em si, mas trazendo o pensamento para a realidade subjetiva.
Teoria da Modularidade
Fodor (1983), durante a construção de sua teoria da modularidade, inicialmente separou a noção de faculdades mentais e as ideias proposicionais, ou seja, o conhecimento que adquirimos sobre as coisas. Fodor explicita, em uma de suas afirmações, que o que sabemos, de forma inata, faz parte das capacidades mentais contidas na ontogenia. Neste sentido, o autor completa que o que é dado conscientemente, tem origem em algo implantado de forma computacional. Desta forma, Fodor enxerga a relação entre os componentes inatos da mente e os desenvolvidos, que exercem uma interação significativa para formar a cognição da mente humana.
Neste contexto, Fodor (1983) enfatiza que a mentalização é de caráter inatista. E, independentemente do tema abordado, a mentalização se desenvolve em faculdades invariáveis ao longo da transição dos pensamentos. Essa ideia ratifica a noção de que há estruturas inatas cerebrais responsáveis por funções básicas de percepção e processamento que se desdobram em comportamentos. Tal perspectiva, trazida pelo teórico, se opõe àquela de faculdades horizontais da mente, que provém dos estudos empíricos de psicólogos não cartesianos.
Dando continuidade à temática apresentada, Fodor(1983) ainda acrescenta a distinção entre os conceitos de faculdades mentais e capacidades mentais. O autor faz uma crítica neste sentido, quando diz que a mente pode ter muitas capacidades, porém fundamentada sobre a causalidade de uma de suas faculdades. Dessa forma, o mesmo propõe que, os mecanismos psicológicos da ciência cognitiva acontecem como sistemas computacionais que organizam conteúdos mentalistas. Neste contexto, o autor introduz o conceito de modularidade, fazendo uma associação deste com um certo padrão de funcionamento. Completa, ainda, que os sistemas cognitivos modulares são independentes entre si, inatamente especificados e conectados à estrutura neural. Estes, segundo o autor, também preservam sua verticalidade. Porém, conforme Fodor, também existem processos cognitivos não modulares interconectados de forma horizontalizada. Assim, Fodor explica a mente como um sistema composto por módulos inatos e independentes, que interagem com funções não modulares em determinados processos cognitivos.
Neuroreducionismo
Castro e Landeira-Fernandez (2012) abordam aspectos históricos referentes ao debate mente e cérebro, de uma perspectiva que evidencia a contribuição neurocientífica para esta temática. Neste contexto, os autores discorrem sobre o debate estrutura versus função, pertencente às neurociências. Os autores esclarecem que tal debate coloca em posições antagônicas, pesquisadores localizacionistas e anti-localizacionistas. Neste sentido, os primeiros acreditam que estruturas neurais específicas estão associadas às funções intelectuais. Já os segundos defendem um funcionamento holístico cerebral, na execução de suas funções, não se relacionando a nenhum locus em específico.
Castro e Landeira-Fernandez (2012), pontuam que para além de considerar a mente fundamentada no cérebro, o localizacionismo também se ocupou em estudar como essa mente é produzida em tal órgão. Nesta perspectiva, considerou-se, conforme explicitado pelos autores, tanto as estruturas distintas do encéfalo, quanto suas diversas funções cognitivas. Desse modo, gerando a correlação entre elas, fazendo surgir a ideia de que uma estrutura específica era responsável por determinada função.
Mais tarde, com o advento da bioeletricidade, e perpassando pelos estudos de neurofisiologistas, conforme pontuam os autores Castro e Landeira-fernandez (2012), no panorama histórico que abordam em seu artigo, a busca por uma solução entre os oposicionistas (localizacionistas e anti-localizacionistas) culminou no conceito de sistemas funcionais. De acordo com os autores, tal proposta substitui o modelo localizacionista. Agora, segundo os mesmos, diversas estruturas neurais se relacionam entre si, originando uma função mental, rejeitando o modelo, ponto a ponto, citado anteriormente.
Assim, tendo a mente explicada pela atividade sináptica/neuronal do cérebro, de forma exclusiva, encontra-se a emergência de um modelo explicativo neuroreducionista, que enfatiza que o cérebro é o único responsável pelos processos mentais. Segundo Moreira Almeida (2013), muitas pessoas consideram que a mente não existe, sendo esta um produto da química e da atividade das sinapses neuronais.
Neuroconstrutivismo
Westermann et al. (2007) apresentam, em sua produção científica, uma abordagem explicativa da mente, que aborda uma mudança cognitiva a nível neural, porém não defensor do reducionismo. Conforme autores, tal atividade neural é influenciada pela mediação entre a experiência ambiental. Completam ainda, que o desenvolvimento cognitivo pode ser modificado mutuamente pelos processos neurais. Neste contexto, Westemann et al. destacam diversos níveis de limitações que afetam o desenvolvimento cognitivo e cerebral.
O primeiro nível, exposto por Westermann et al., é o genético, que evidencia que as expressões gênicas podem ser modificadas de acordo com as interações ambientais que um indivíduo experiencia. O segundo nível, do encapsulamento, os autores trazem que as redes neurais podem ser alteradas ou remodeladas ao longo do desenvolvimento, pelo processamento das experiências. Por conseguinte, tem-se o nível da integração cerebral, utilizado pelos autores com o termo “embrainment”, para ilustrar a ideia de que uma região funcional do cérebro está interconectada com outras regiões que se desenvolvem conjuntamente. Tal idéia, opõe-se à teoria inata da modularidade. Logo após, os autores apresentam o próximo nível, da incorporação, pontuando que o corpo faz parte de um ambiente físico e social. Tal fato influencia os padrões neurais gerados por entradas sensoriais, gerando uma restrição na construção de representações mentais. Ainda completam que o corpo, neste caso, funciona tanto semelhante a um filtro para informações ambientais, quanto como um instrumento de manipulação do ambiente para gerar novas entradas sensoriais. O próximo nível apresentado por Westermann et. al. (2007), denominado “ensocialmente”, explicita que o contexto social em que um indivíduo está inserido limita suas experiências, influenciando de forma restritiva, as suas representações mentais. Os autores trazem, como exemplo do que foi mencionado, as interações cuidadores-crianças. Para finalizar os níveis, os mesmos trazem as interações entre restrições. Neste caso, explicam que as restrições referentes ao desenvolvimento neural entram em interação, dependendo da atividade neural, influenciada pela experiência, afetando a expressão dos genes.
Desta forma, conforme Westermann et. al. (2007), o neuroconstrutivismo explica que a mente é construída de acordo com o contexto em que ocorre, com estruturas neurais interagindo e influenciando-se de forma mútua com o ambiente, de forma biopsicossocial. Também por meio de processos competitivos e cooperativos, fazendo emergir de forma dinâmica e progressiva, aprendizados e adaptações. Neste contexto, os autores ainda pontuam que, transtornos do neurodesenvolvimento, podem ser compreendidos, não por erros nos processos modulares, mas sim como adaptações feitas às diferentes restrições experienciadas.
Neurobiologia da Teoria da Mente
Após a breve exposição sobre as principais teorias explicativas da mente, é de suma importância que se explore, também, a circuitaria neural envolvida na teoria da mente. Neste sentido, os processos envolvidos na teoria da mente não se limitam a uma construção cognitiva abstrata. Os mesmos direcionam e desempenham um importante papel na compreensão social. Sendo assim, esta seção busca trazer as contribuições das neurociências e da neuropsicologia que abarcam a temática apresentada. Buscou-se então, reunir os achados que abordam a questão do papel dos neurônios espelhos, perpassando pela distinção entre crenças implícitas e explícitas e pelas estruturas cerebrais envolvidas nestes processos. Encontra-se também, uma breve exposição da relação entre transtornos e patologias mentais e as “falhas” na teoria da mente.
Um estudo feito por de Lange et al. (2008) avaliou, por meio de ressonância magnética funcional, quais regiões do cérebro estariam envolvidas na simulação motora, ou seja, as que utilizam a rede de neurônios espelho e da teoria da mente necessárias para entender as intenções de ação das pessoas. Tal estudo objetivou lançar luz à controvérsia existente entre autores como Gallese e Goldman (1998) e Rizzolatti e Craighero (2004), que defendem que a intenção da ação é algo puramente motor por natureza e, por outro lado, Frith e Frith (2003) e Premack e Woodruff (1978), que postulam que a compreensão das intenções provém de algo inerente aos processos de mentalização.
Para isto, de Lange et al. (2008) registraram a atividade neural dos participantes dos estudos enquanto os mesmos observavam uma ação realizada por um ator. Tal observação era feita tanto em termos de intenção como em termos de sua ação motora. Além disso, houve variação nas tarefas dos participantes.
Neste sentido, foram propostas duas tarefas principais: Na primeira os participantes foram convidados a julgar se a intenção da ação era ordinária ou extraordinária. Uma intenção da ação ordinária, neste caso, corresponde a uma ação comum e esperada, fazendo sentido dentro de um determinado contexto. Isto foi exemplificado por de Lange et al. (2008) com a ação de levar uma xícara de café até a boca, para beber. Já uma intenção de ação extraordinária diz respeito à uma ação incomum, fora do padrão dentro de um contexto, como por exemplo, levar uma xícara de café à orelha, como se fosse um telefone. Já na segunda tarefa, os participantes julgaram se os meios da ação eram ordinários ou extraordinários. Os meios, neste caso, se referem à maneira como uma ação motora é realizada. Neste sentido, ela pode ser ordinária - comum, como segurar a xícara de uma forma típica, com os dedos em volta da alça - ou extraordinária - como levar a xícara até a boca, segurando de uma forma incomum, aplicando mais força ao pegar o objeto, segurando de um jeito incomum.
Desta forma, de Lange et al. (2008) trouxeram a proposta de identificar a distinção entre as áreas cerebrais responsáveis por codificar a intencionalidade da ação de maneira automática e as que necessitam de um estímulo visual para tal. Neste sentido, os autores completam que áreas referentes à mentalização independem do estímulo para serem ativadas, o que não aconteceria com as áreas impulsionadas automaticamente pela à atividade visual.
Em seus achados, de Langue et al. (2008), pontuaram que o giro frontal inferior, que faz parte da rede de neurônios espelho (*MNS) foi ativado enquanto o observador buscava compreender a intenção do ator. Tal ação, neste caso, se limita a algo facilmente identificável pela observação motora. Já quando se tratava de uma ação incomum, ou seja, uma ação que se desvia do padrão esperado, porém mantendo a observação puramente motora, os autores perceberam a ativação da área extrastriada do corpo (**EBA) em contextos onde partes do corpo eram apresentadas.
Outra observação feita por de Langue et al. (2008), diz respeito à ativação do sulco temporal superior posterior direito, no cingulado posterior, e córtex pré frontal medial, áreas envolvidas na rede de mentalização. Tais áreas se tornaram ativas mediante a reflexão da intencionalidade da ação. Desta forma, os autores pontuaram que, embora a rede neuronal responsável pela teoria da mente e a rede de neurônios espelho realizem papéis distintos, ainda assim podem agir como redes complementares na compreensão e reflexão das ações e intenções alheias.
Vogeley et al. (2001) foram outros que trouxeram relevantes contribuições sobre os mecanismos neurais da teoria da mente. O estudo foi pioneiro ao mostrar, por meio de ressonância magnética funcional, de forma combinada, como os cérebros de homens destros e saudáveis interpretam os estados mentais próprios e de outras pessoas. Segundo os autores, a capacidade em perceber os estados mentais dos outros, envolve o córtex cingulado anterior. Além disso, os autores pontuaram que, em seus achados, a dominância desta ativação se deu do lado direito do encéfalo. Siegal e Varley (2002) também chamam a atenção, trazendo explicações sobre áreas posteriores direita estarem ligadas ao desempenho da teoria da mente. Os autores explicitam que uma das hipóteses viáveis seria o envolvimento dos mecanismos responsáveis pelas implicações das conversas - como intenções expressas por pistas não verbais, significados nas entrelinhas e demais inferências sociais - se localizarem do lado direito do encéfalo, bem como os subdomínios que incluem o processamento visual. Isso pode ser melhor compreendido, ao se observar estudos de neuroimagem funcional de pacientes com lesões no hemisfério esquerdo do cérebro, como na figura abaixo. Nela, o desempenho da teoria da mente é preservado, demonstrando como o hemisfério direito é crucial para as inferências sociais.
Figura 1.
Lesão no hemisfério esquerdo do encéfalo, com desempenho preservado em teoria da mente.
Nota. O achado reforça o papel das áreas posteriores do hemisfério direito.Em Neural systems involved in “theory of mind”, de Siegal e Varley, 2002, Nature Reviews Neuroscience, p. 465 (http://doi.org/10.1038/nrn844). © 2002 Nature publishing Group. Reproduzido com permissão.
Já a capacidade de autorrefletir sobre os estados mentais próprios -SELF - ativam as áreas neurais adicionais na junção temporoparietal direita e do precúneos, conforme exposto por Vogeley et al. (2001). Além disso, Naughtin et al. (2017) acharam evidências de que a junção temporoparietal é pertencente a parte do sistema implícito da teoria da mente, uma vez que opera detectando a ausência ou presença de um estado de crença falsa nas situações. Esta ativação pode ser observada na imagem abaixo, que apresenta os resultados de neuroimagem funcional. Nesta, é destacada a ativação da junção temporoparietal direita (R TPJ) em tarefas envolvendo crença falsa. A diferença significativa existente entre as condições de crença e ausência de crença reforça o papel dessa região encefálica na detecção automática de estados mentais.
Figura 2.
Junção temporoparietal direita em tarefas de crença falsa.
Padrões de ativação neural durante a autorreflexão e interação com o outro.
Nota. Ativação no córtex motor e premotor direito durante tarefas de autorreflexão (SELF), e no córtex pré-frontal direito quando existe interação simultânea entre si e o outro. Em Mind reading: neural mechanisms of theory of mind and self - perspective, de Vogeley et al., 2001, NeuroImage, p.175 (https://doi.org/101006/nimg.2001.0789), © 2001 by Academic Press. Reproduzido com permissão.
Ademais, em um estudo que teve como objetivo investigar a relação entre patologias mentais e a teoria da mente, Perrotta (2020) levantou questões importantes que buscou abarcar os limites entre a teoria da mente, em seus aspectos teóricos e neurobiológicos, e alguns quadros clínicos. Neste estudo, o autor discorreu um pouco sobre a rede dos neurônios espelho, presente no lobo temporal, e seus aspectos evolutivos que contribuíram para a teoria da mente em humanos. Tal habilidade – ToM - segundo o autor, é executada pelo córtex parietal inferior. Ainda completa que, devido à variabilidade dos resultados encontrados em testes que avaliam a teoria da mente, se faz pertinente sugerir que processos diferentes são envolvidos nas tarefas. Neste sentido, o autor divide a teoria da mente em duas subseções, elencando seus aspectos cognitivos e afetivos. Neste sentido, pontua que a ToM cognitiva estaria relacionada ao reconhecimento do estado mental do outro em termos de pensamento. Já na afetiva, a ToM estaria relacionada ao reconhecimento das emoções alheias. Sendo assim, o mesmo enfatiza que pessoas com danos localizados na área pré-frontal ventromedial, obtiveram desempenho ruim em tarefas que avaliam a ToM afetiva. Desta forma, conforme trazido pelo autor, pessoas com danos nessa área, apresentam um déficit afetivo, ou seja, falham em compreender as emoções alheias. Além do já mencionado, um debate é levantado pelo autor, questionando se há evidências suficientes sobre a teoria da mente ser algo independente ou se depende de outras funções cognitivas.
No mesmo escopo, Siegal e Varley (2002) investigaram, por meio de revisão de estudos de imagem de pacientes com áreas lesionadas, se a teoria da mente corresponde a um processo central e independente, ou se trabalha de forma cooptada. Neste sentido, os autores enfatizam que as áreas das funções executivas e do lobo frontal não são suficientes para o raciocínio da ToM, mesmo que sejam essenciais para o sucesso em algumas tarefas. Sendo assim, funcionam como áreas que realizam outras funções, mas que também ajudam nas tarefas de teoria da mente. Analisando exames de imagem, os autores perceberam que, mesmo com lobos frontais não prejudicados, outras lesões em zonas corticais mais posteriores evidenciam dificuldades em tarefas de mentalização. Desta forma, conforme os autores, mecanismos visuoespaciais do encéfalo são cooptados para que se possa mensurar o desempenho na teoria da mente. Além disso, seus achados mostram que a amígdala cerebral executa um papel central na capacidade de interpretar estados mentais alheios. Completam, ainda, que sistemas combinados como a amígdala, o lobo temporal e o frontal, quando cooptados, podem gerar capacidades de raciocínio social mais complexas.
Da mesma forma, para a emergência da teoria da mente, Siegal e Varley (2002), consideram a amígdala como necessária, mas não autossuficiente. Destacam ainda que, a experiência ***conversacional em crianças3, quando começa de forma precoce, é fundamental neste processo, já que alguns substratos neurais cooptados estão em fase de desenvolvimento - como é o caso das funções executivas. Segundo os autores, embora haja mecanismos cooptados, as falhas na mentalização derivam de lesões em áreas que compõem o sistema central de domínio.
Considerações Finais
A partir das informações explicitadas até aqui, este trabalho cumpre o objetivo principal de traçar um panorama abrangente da ToM, enfatizando a evolução de seus conceitos e explorando o aspecto multidisciplinar próprio da temática. Neste contexto, o estudo demonstra as bases históricas que fundamentam, no campo filosófico, o debate da natureza consciência e da intencionalidade. A revisão demonstra a evolução de um conceito que teve origem em uma hipótese inicial - levantada por primatologistas e biólogos - e, posteriormente, alcançou áreas centrais da psicologia contemporânea, como as neurociências cognitivas.
Esta revisão também detalha as divergências entre as teorias explicativas da mente, enfatizando o papel dos pesquisadores em explicar a habilidade do ser humanos em ter uma mente e em compreender a mente alheia. Foram abordadas tanto a ToM como sistema de conhecimento teórico utilizado para prever comportamentos alheios, quanto como um processo de encenação mental das experiências de outras pessoas. Também foi mencionada a ToM como uma capacidade modular e, também, as teorias que abordam a mente emergindo do encéfalo, demonstrando a riqueza e complexidade do fenômeno estudado.
A análise das contribuições científicas contemporâneas, evidencia a participação determinante das neurociências na localização e compreensão do funcionamento físico estrutural da ToM. Foram identificadas redes neurais específicas – com destaque para áreas como córtex pré frontal medial, sulco temporal superior e junção temporoparietal – por meio de exames de imagem, que se ativam constantemente durante as tarefas onde as inferências mentais são investigadas. Neste sentido, a importância da ToM no campo da psicopatologia também se destaca. Os déficits encontrados, reiteram a importância da teoria da mente em contextos onde são exigidos adaptações e interações sociais. Deste modo, abrindo caminho para estudos focados em desenvolver intervenções e reabilitações cognitivas mais personalizadas, que tenham um bom nível de eficácia e efetividade.
Assim, este estudo reforça que a capacidade de compreender estados e intenções alheias é a base que sustenta a troca interpessoal bem sucedida, desempenhando papel central para a empatia e coesão social.
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Notas de Rodapé
*MNS - Mirror Neuron System
**EBA - Extrastriate Body Area
***A experiência conversacional inicial refere - se às interações verbais precoces com outras pessoas, como diálogos, brincadeiras e outras trocas comunicativas. Tais experiências são fundamentais para o desenvolvimento da TOM, especialmente em um período em que estruturas neurais como as funções executivas ainda estão em maturação.
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